Catherine era uma garota especial que sonhava em tornar-se uma grande estrela de cinema, mesmo este sendo projetado no quintal de sua casa. O sonho assim permaneceu. O amor pela arte que nutria dentro de si era mais importante e prazeroso que qualquer obstáculo a ser enfrentado em sua vida. Sendo filha de um casal estranho, onde praticamente nasceu e cresceu sozinha. Seu pai Marcel, mais conhecido como “Allexandre Le Grand”, o garanhão da região, um cinqüentão que acreditava ter apenas vinte anos. Nunca deu sequer incentivo ou até mesmo apoio para que a filha alcançasse seus objetivos como atriz. Sua mãe Thérèse, conhecida como Charlotte, trabalhava num circo de beira de estrada. Diferente de seu pai, ao menos incentivava a carreira artística da filha contando suas histórias circenses, onde sempre acabavam às gargalhadas no sofá caído na sala.
Vendo o esforço da filha, Thérèse sua mãe, preparara uma surpresa em seu aniversário. Com toda a euforia a garota salta gritando de felicidade, pois acabara de saber que começaria seu primeiro curso de interpretação teatral na semana seguinte. Seu pai mais uma vez não compareceu, talvez tenha esquecido que sua filha virara uma grande mulher. Devia mesmo era estar com uma de suas clientes. Em seguida, mãe e filha seguem em direção ao circo onde comemorariam com uma das apresentações de sua mãe. Catherine teve flashes de memória que remetiam à sua infância. Lembrou das vezes que foi abandonada sozinha em casa. Pensou que tudo aquilo que lhe acontecera enquanto criança teria sido necessário para que fosse hoje a mulher que se tornou. Seus olhos encheram-se de lágrimas quando viu sua mãe artista saltar no picadeiro.
Continuou ela imóvel defronte todos aqueles rostos à espera de um novo acontecimento na cena. Viu sua mãe aflita, talvez por ver sua filha nervosamente como se fosse sua primeira apresentação. Pensava em tudo o que lhe aconteceu para hoje ter se tornadao uma atriz internacionalmente conhecida. Paralizada, lembrou de sua primeira aula de teatro, onde conheceu sua parceira de cena, de amor e de vida. Estava tão aflita que em mais nada pensou. Sophie sorriu e disse-lhe ser bem vinda à Cia. De Teatro, onde só resiste aquele que se entrega ao prazer da arte.
Uma ligação prévia entre as duas surgia ferozmente. Catherine entregava-se à Sophie como uma amante. Sua paixão pela arte a fez escolhida como companheira de sophie para o que seria sua pré-estréia. Cresceu assim um sentimento que jamais as separariam, nem mesmo a fúria de um pai enlouquecido que afirmara que a melhor arte é a que você faz com seu corpo.
Chegando bêbado em casa numa noite qualquer, seu pai pensou estar sozinho quando ouviu ruídos, porém, acreditava ser alucinações provocadas pelo álcool. Ainda com sua curiosidade, ele se direciona ao quarto da filha onde chocou-se com a cena que viu pela fresta da porta entre-aberta. Sua filhinha acariciava o corpo nu de uma mulher. Sophie estava linda e extremamente sensual. Exalava daquele ambiente um odor que lhe parecia familiar, o que o excitava. Movido por seus instintos, Marcel invadiu o quarto e a arrancou brutalmente daquela situação, sendo ainda arrastada por toda a casa. Seu pai tirou o cinto. Catherine pensou que iria apanhar terrivelmente, mal sabia que sua dor seria muito maior. Sophie olhava tudo aterrorizada e impossibilitada de qualquer reação, pois seu corpo já não o permitia. Ela sangrava e gritava pedindo ao pai que parasse de machucá-la. Marcel de fato não havia percebido que sua filhinha tinha um corpo de mulher, pensando nisso continuou seus movimentos frenéticos em cima de sua tão amada filha. Afirmara ainda que aquilo sim fosse a “arte” que desejara receber de sua filha pelo resto de sua vida.
Catherine desmaiou nos braços rudes do pai. Este apavorado, sem abotoar as calças corretamente, correu desesperado sem rumo algum. Sophie pensou que ele a tivesse matado. Enganara-se. Ainda com uma respiração ofegante e assustada, ela abre seus olhos e é acalentada nos braços da mulher que ama.
Catherine acariciava sophie e o público permaneceu paralisado. Lembrara de todo o episódio que acontecera com seu pai. Este nunca mais foi visto. Disseram que não mais habitava este plano. Ficara traumatizada por longo tempo. Com sabedoria e afeto, Thérèse sua mãe, chamou-a para uma longa conversa. Afirmara estar feliz com o caminho escolhido pela filha, apesar de saber de quão árduo assim seria. Desejara ainda todo o amor que não pôde dedicar à filha quando a deixava sozinha quando criança. Disse-lhe que Sophie tornou-se uma segunda filha. Seu pranto ecoou no fundo de sua alma. Chorava feliz, chorava em silêncio. Catherine jamais teria conhecido seu grande amor, nem tão pouco teria se tornado a grande atriz que é hoje. Tudo graças à mãe. Orgulhava-se!
Catherine transmitiu suas lembranças para seu personagem que chorava incansavelmente sobre o corpo da amada. Esperava ansiosa para satisfazer e realizar seu grande desejo. Eis que no ato final, ela cobre a nudez de sophie com o seu próprio corpo também nu, beijando-a finalmente com uma sensação de calor, obtendo o prazer de seus instintos. A cortina fecha-se. Aplausos.
Wanderson RIBEIRO
Jornalismo Fanor


